Médicos vão ter restrições para viagens patrocinadas.

   Médicos consideram que é preciso limitar os abusos na relação entre a categoria e a indústria farmacêutica, mas alguns temem que o veto a viagens possa trazer prejuízo à atualização profissional. O oncologista Paulo Hoff, professor da USP e diretor do centro de oncologia do Hospital Sírio-Libanês, lembra que os honorários da maioria dos médicos são baixos, e a indústria acaba sendo uma ponte para o aprendizado. "É uma tendência mundial olhar essa relação com muito cuidado. A prescrição do médico tem uma importância muito grande no que a indústria vai vender. Então, tem que ter transparência. Não pode haver abusos." Por outro lado, ele defende que deva haver cuidado para não limitar demais o acesso dos médicos à educação continuada, que hoje depende do patrocínio da indústria. Hoff costuma dar aulas em congressos internacionais de oncologia e declara seus conflitos de interesse. Ano passado, ele informou ser consultor da Roche e ter recebido fundos de pesquisa da AstraZeneca e da Pfizer, de acordo com o "Asco Cancer Education Committee". O cardiologista Sergio Timerman, do InCor (Instituto do Coração), diz que é preciso diferenciar o médico que realmente vai a congressos para adquirir mais conhecimento daqueles que veem nesses eventos apenas "uma maneira de sair do país". "O médico sério, que busca atualização científica, não pode ser penalizado. Se existem os que querem fazer turismo, ótimo, mas façam depois do evento, com seus próprios recursos." Timerman declara não ter conflitos de interesse com a indústria. José Erivaldes Guimarães, vice-presidente da Fenam (Federação Nacional dos Médicos), defende a proposta do CFM. "Muitas dessas viagens para congressos têm uma mensagem subliminar de cooptação do profissional médico para prescrever determinado tipo de remédio." Rubens Belfort Júnior, professor titular de oftalmologia da Unifesp, também considera a medida do CFM "extremamente salutar". "Não acho exagero. Não há dúvida de que hoje há um grande excesso na liberdade de marketing das companhias e nesse relacionamento, às vezes promíscuo, com os médicos." (CC)

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